Blog Universo Sertanejo

Arquivo : maio 2013

Milionário e José Rico se apresentam em Campinas, na próxima sexta-feira
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André Piunti

Sexta-feira, dia 24, a dupla Milionário e José Rico toca aqui na minha cidade, Campinas-SP, e eu farei aquele tremeeeendo esforço pra ir.

A apresentação acontecerá na Cachaçaria São Joaquim, que fica ali no final da Norte-Sul (pra quem conhece Campinas), na qual vem sendo realizados shows com mais frequência nos últimos meses.

Os ingressos custam R$50 para pista, R$80 a área VIP, e R$100 o camarote individual.


Teló lança novo DVD e fala de carreira internacional, Paula Fernandes e Virada Cultural
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André Piunti

Michel Teló está lançando, nesta semana, “Michel Teló – Sunset”, o 3º CD e DVD de sua carreira solo, iniciada em 2009. Na próxima quinta-feira, na Brook’s, em São Paulo, ele realiza um coquetel para convidados, seguido de um show com venda de ingressos.

O projeto, que chega com o desafio de manter Michel como um dos principais artistas do país, traz dois nomes convidados: Paula Fernandes e a dupla Bruninho e Davi. As gravações aconteceram em 3 cidades durante fevereiro e março: Guarujá-SP, Florianópolis-SC e Angra dos Reis-RJ.

Do novo CD/DVD, “Love Song” já foi trabalhada nas rádios, e foi recentemente substituída por “Amiga da Minha Irmã”.

Abaixo, a conversa que tive com ele.

O seu novo projeto tem algumas canções românticas fortes, uma já foi trabalhada, outra vai ganhar destaque nos próximos dias, e uma terceira, gravada ao lado da Paula Fernandes, talvez seja a melhor do DVD. Você pretende passar a explorar esse lado romântico?

Pretendo explorar o romântico sim, mostrar pras pessoas que não me conhecem muito que eu também tenho esse lado romântico. A gente sempre escolheu trabalhar músicas de balada, então tem horas que a gente precisa mostrar que nosso repertório é bem mais abrangente.

E como surgiu a ideia de convidar a Paula?

Eu sempre fui muito fã dela. O convite não é novo, eu quis que ela participasse dos meus outros DVD’s, mas não tinha dado certo. Dessa vez rolou, gosto muito dela pessoalmente e como artista, e concordo que a música acabou ficando uma das melhores do DVD.

Abaixo, “Se tudo fosse fácil”, gravada ao lado da Paula Fernandes.

Uma das principais românticas do disco, “Maria”, faz parte de um grande projeto que vocês mantiveram em sigilo desde o ano passado, e agora você resolveu abrir. Qual é esse projeto?

Eu gravei cerca de 400 nomes, além de “Maria”, pra um projeto que vai ser lançado pro dia dos namorados. Vai ser algo no qual a gente tá apostando muito, usando uma ferramenta do Facebook. Essa semana vai sair um clipe da música, e mais pra frente vai sair um clipe interativo. A menina vai poder ouvir a música com o nome dela em vez de ouvir o nome “Maria”, além de vários outros detalhes que a ferramenta possibilita, como usar imagens da pessoa no clipe. Eu acredito muito que vai andar bastante a brincadeira, já que é algo que ninguém fez ainda.

Abaixo, o teaser do clipe “Maria”, que será lançado na sexta-feira.

Como você recebeu a notícia de que havia sido premiado no Billboard Awards, no último domingo?

Cara, eu tava nessa correria de ensaiar o show novo e não tava sabendo da premiação. Fiquei sabendo pelo Twitter quando o pessoal começou a me dar parabéns. Eu vou falar o que? A resposta é a mesma de sempre, incrível. Lá nos Estados Unidos, numa premiação respeitada, uma música em português ganhando como principal música da América Latina, que tem tantos artistas estourados no mundo todo. É mais uma dessas coisas que a gente não entende, só fica muito feliz.

Uma das apostas do DVD é a música “Levemente Alterado”, gravada com o Bruninho e Davi. Qual sua relação com eles e por qual motivo você escolheu uma das canções mais fortes pra dividir com eles?

Os meninos fazem parte do meu escritório, “Brothers”. Fiz questão de colocá-los no projeto com uma música que é forte e tem a cara deles. Eles são irreverentes, tem essa linha mais de zoeira, e quando surgiu a “Levemente Alterado”, na hora já pensei neles. A música dando certo é bom pra mim, pra eles, pro escritório. Além disso, é legal que juntos a gente se diverte mais também.

Você tem 20 anos de carreira, e em 2012 você atingiu seu auge, chegou a um ponto no qual você nem imaginava chegar. Agora que uma parte grande dos seus objetivos foi concluída, o que te motiva? A vontade de subir ao palco continua a mesma?

É a música, cara. A música é mais forte que tudo. Não me vejo longe dos palcos, não me vejo sem cantar, sem tocar, sem me divertir fazendo o que eu gosto. Eu me prendo na ideia de formar uma carreira extensa, de muitos anos, não parar por aqui. Tenho 20 anos de carreira e muita gente me conheceu agora, então tenho muita coisa pra fazer pela frente. Acho que a gente tem que se apegar aos grandes exemplos. O Roberto Carlos é o maior deles. Cantou pra jovens, se reinventou e virou nosso maior artista. Esse desafio de se reinventar e permanecer é o que faz a gente seguir, junto com o amor pela música, claro.

Há uma frase famosa que fiz que fazer sucesso é difícil, mas se manter é mais difícil ainda. Você concorda com isso, já que seu estágio hoje é o de se manter no sucesso?

Eu discordo quando dizem que é mais difícil manter, eu acho que é igual. Mas olha… é difícil, viu? É engraçado porque é tudo muito louco, você não pode parar, tem que estar ligado o tempo todo, acelerado. Eu vejo tudo o que eu conquistei e penso: “como eu vou fazer isso de novo, estourar no mundo?”. É um desafio novo se manter e mostrar seu valor, tão difícil quanto fazer sucesso, mas isso é parte do nosso trabalho.

Você virou garoto propaganda de empresas grandes e continua sendo procurado pra grandes campanhas nacionais. No mercado sertanejo, rolam pesquisas que mostram que você tem uma rejeição muito baixa, e que carrega o que a gente chama de “boa imagem”. A que você acha que isso se deve?

Cara, eu acho que tem muito do respeito com que eu trato as pessoas. O carinho e o respeito pelo ser humano talvez seja um desses motivos, acho que isso acaba transparecendo quando alguém me encontra ou quando apareço na TV, não sei. Não sou um cara de polêmicas, sou muito tranquilo, e acho que isso faz com que as pessoas entendam que eu sou um cara.. Eu sou um cara que acredita em Deus, e acho também que pode ser um dom. Sou o mesmo cara no palco, no camarim, em casa, acho que as pessoas percebem isso e isso conta a favor pra mim.

É real a história de que a música “Aconteceu” foi baseada na sua história com a Thais Fersoza?

É isso sim… na verdade, quando eu tava no estúdio mexendo no repertório, o Neto Shaefer, que fez os violões, tava com a ideia do refrão na cabeça. Eu e o Dudu (Borges, produtor) sentamos com ele e a música foi saindo, e eu percebendo que a letra tava narrando o que aconteceu comigo e com a Thais. Os dois tavam numa situação de não querer se meter com relacionamento, eu tava trabalhando como nunca, mas aí a gente se encontrou e deu aquele estalo, aí… A música acabou narrando bem o que aconteceu com a gente.

Abaixo, a canção “Aconteceu”.

Como andam os projetos para o exterior? Tem algum show confirmado?

Eu não sei como está a agenda porque quem cuida é o Teotônio (Teló). A gente continua tendo pedido o tempo todo, mas não dá pra gente largar o mercado aqui. O meu DVD novo vai ser vendido em vários países, até o final do ano eu gravo um CD com músicas em inglês e espanhol pro mercado internacional, com todo o apoio da gravadora, mas sem loucura. Não tô me impondo a obrigação de estourar lá fora, mas é claro que a gente tem a intenção de seguir bem lá fora.

Um ano após aquela loucura do estouro da “Ai se eu te pego”, seguida de uma série de críticas, que você tirou de bom e de ruim?

Eu tirei sem dúvida mais coisas boas do que ruins. Como eu venho de uma cidade do interior, você não espera que sua vida vai mudar de uma hora pra outra como aconteceu. Tudo era notícia, você espirra e vira notícia, é muito maluco pra quem não tava acostumado com essas coisas. Você acaba aprendendo a lidar com isso e leva numa boa, hoje eu aprendi, mas na hora é uma pressão diferente. Receber críticas, por mais que você não perca tempo com elas, te deixam chateado. Eu tirei uma coisa muito boa que é aprender a me preocupar com quem fala e me conhece. Eu ouço muito quando um Roberto Carlos fala de mim, quando um Xororó fala de mim. Quem me critica sem saber da minha história, sei lá, deve ter alguma frustração, alguma inveja. Respeito quem não gosta, não tenho problemas com isso, mas acho complicado falar da carreira ou do trabalho de qualquer pessoa sendo que você não conhece o suficiente.

Você foi convidado pra participar da Virada Cultural, mas acabou não rolando. Os fãs de música sertaneja reclamaram muito da pouca representatividade do sertanejo dentro do evento (apenas Sérgio Reis e Renato Teixeira se apresentaram). Qual sua opinião sobre o assunto?

Eu fiquei feliz pelo convite, acho o projeto interessante, não pude por questões de data mesmo, principalmente por logística. Eu acho que deveria haver espaço igual pra todo mundo, não deixarem o sertanejo de lado. Cadê o palco sertanejo, as duplas tradicionais, o povo das antigas? Eu acho legal que haja espaço pra todo mundo, que todas as tribos estejam representadas, mas e a nossa? E o Milionário e José Rico? Sou a favor de que se faça um palco, chame um pessoal e deixa na mão dos sertanejos que eles sabem o que fazer. Podia rolar a história do sertanejo no palco, dos mais tradicionais aos mais novos, pra gente poder mostrar que esse sucesso de hoje não nasceu ontem.

E não defendo que imponham o que as pessoas vão ouvir. Não acho certo colocar um sertanejo antes ou depois de um show do Criolo, por exemplo. São públicos diferentes, porque forçar os caras ouvirem ao que eles não gostam? Faz uma festa pra todos, cada um no seu espaço, e assim todos são respeitados e promovem suas culturas. Um evento cultural tem que ter música sertaneja, que é parte de uma cultura genuinamente brasileira. A música sertaneja precisa ser respeitada.


Barretão 2013 terá edição especial do “Villa Mix” no primeiro sábado. Confira a programação.
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André Piunti

A organização de Barretos divulgou, ontem, uma prévia da programação de 2013. Como acontece normalmente, a lista de shows deve crescer até a data da festa (15 a 25 de agosto).

Há alguns pontos interessantes de comentar.

No primeiro sábado, 17, haverá uma edição do Villa Mix, show que reúne todos os artistas do escritório Audiomix. As duplas e cantores serão distribuídos nos palcos da festa.

Achei a ideia interessante. Primeiro, pelo fato de o Villa Mix ser um evento que vem rodando o Brasil e ganhando importância. Segundo, pois desfaz uma crítica recorrente de que o escritório domina boa parte da programação das grandes festas. Desta vez, por conta do projeto, o escritório estará presente apenas no sábado.

O segundo sábado terá Chitãozinho e Xororó e Bruno e Marrone no palco principal. De acordo com a organização, as duas duplas são embaixadoras do evento (havia sido divulgado apenas CheX como embaixadora anteriormente).

Muito interessante, mas há algo a notar. Na mesma noite, Paula Fernandes e Rionegro e Solimões se apresentarão no Palco Esplanada. Tudo bem que o Esplanada é um palco secundário “não tão secundário assim”, pois atrai um público muito grande, mas mesmo assim seria uma ótima oportunidade reunir esses quatro shows na arena.

Abaixo, segue a programação. Ainda não está muito claro quem tocará nos trios elétricos, mas pela lista já dá pra ter uma boa noção de como serão as noites.

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15 de agosto (quinta)

Palco Estádio/ Trio elétrico

Israel & Rodolfo
Lucas Lucco
Gabriel Gava
George Henrique & Rodrigo
Henrique & Diego
Trio Bravana
Henrique & Juliano

16 de agosto (sexta)

Palco Estádio

Cristiano Araújo/ Zé Ricardo & Thiago
Projeto BPM/ DJs Felguk
Davi e Fernando

Palco Esplanada

Tomate

17 de agosto (sábado)

Palco Esplanada e no Trio Elétrico (artistas se revezarão)

Villa Mix:

Jorge & Mateus
Gusttavo Lima
Humberto & Ronaldo
Naldo
Israel Novaes
Guilherme & Santiago
Maria Cecília & Rodolfo
Matheus & Kauan
Léo Verão & Daniel Freitas

18 de agosto (domingo)

Palco do Estádio

João Bosco & Vinicius, Kléo Dibah & Rafael e Michel Teló

19 de agosto (segunda)

Palco Esplanada

André Valadão
Aline Barros

20 de agosto (terça)

Belo

21 de agosto (quarta)

Palco Esplanada

Gian & Giovani/ Amado Batista

22 de agosto (quinta)

Esplanada

Marcos & Belutti

Palco Estádio/ Trio elétrico

Thaeme & Thiago/ Fernando & Sorocaba

23 de agosto (sexta)

Palco Esplanada

César Menotti & Fabiano

Palco Estádio / Trio elétrico

Luan Santana/ Munhoz & Mariano

24 de agosto (sábado)

Palco Estádio

Bruno & Marrone e Chitãozinho & Xororó

Palco Esplanada

Paula Fernandes
Rio Negro & Solimões

25 de agosto (domingo)

Estádio / Trio Elétrico

Show final do rodeio – Trio Parada Dura


BASTIDORES: Entrevista com Marcos Mioto
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André Piunti

Marcos Rogério Mioto, 39, natural de Fernandópolis-SP.

Atuante no mercado de shows há 20 anos, Mioto é um dos principais contratantes do Brasil, um dos nomes mais fortes do mercado sertanejo.

Com duas décadas de estrada, não só conquistou um relacionamento invejável com donos de festas no país todo, como também se tornou amigo pessoal de diversos artistas.

Enquanto os fãs de música sertaneja fazem, por lazer, previsões para os próximos meses, ele se prende aos números. Sabe, mais do que ninguém, quem de fato está fazendo sucesso, quem está subindo e quem deve perder espaço.

Ex-músico de banda de baile que percebeu que vender shows dava mais dinheiro que tocar neles, o empresário é dono da “Marcos Mioto Promoções Artísticas”, sediada em Votuporanga-SP.

Abaixo, a conversa que tive com ele.

Qual a função de um contratante?

O contratante faz o papel de ser o ponto de ligação entre o artista e o evento. Aquela pessoa que trabalha pela melhor data, melhor evento, melhor equipe. Basicamente um intermediário que tenta achar o melhor negócio tanto pra festa quanto pro artista.

Qual a principal dificuldade do seu trabalho? Você sabe que há profissionais do próprio mercado que tratam como algo “fácil”…

O meu trabalho mexe diretamente com credibilidade. Mexo com festas que tem 30, 40, 50 anos de tradição. Quem acha que é algo fácil, é só ir lá na organização das festas e conversar. Confiança não é mandar uma garrafa no fim do ano, é fazer 10 anos de festa sem erro, sem dar dor de cabeça, assumindo a responsabilidade ano após ano. As pessoas falam muito, mas sabem como funciona.

Minha empresa não deve um real a nenhum artista, é tudo feito corretamente pra que não tenha brecha pra ninguém falar nada. Eu invisto pra que festa e artistas tenham o melhor resultado. Tenho um gasto grande com produção, coloco no melhor hotel, pego a melhor van, coisas que parecem pequenas, mas te dão moral com o passar dos anos.

Você concorda com quem diz que os cachês sertanejos estão caros demais?

Valor de cachê é algo relativo, né? Tem show que o valor parece alto, mas sai barato, e show que parece barato, mas nem assim dá lucro. O importante nessa questão é o escritório ter consciência do valor do artista dele, de quanto o artista dele vai dar na bilheteria. Hoje já há uma consciência boa do valor de cada show, pois o mercado se fala, os donos de festas conversam, trocam informações. A bilheteria pauta as festas. Se o artista rende na bilheteria, não tem porque dizer que o show dele é caro. Os valores chamam a atenção sim, mas na maioria dos casos eles se justificam.

Você me contou que quando chega no fim do ano, você se reúne com os escritórios pra reservar as datas do ano seguinte. Em quais dados você se baseia pra comprar mais shows de um artista, menos de um outro, passar a comprar de um novato?

Eu me baseio muito em histórico, trabalho com histórico, busco informações do que vem acontecendo. Tenho que ficar de olho se não estão me contando mentira, tenho que apurar. Sempre tem alguém dizendo que determinado artista tá levando 15 mil pessoas em média, mas na verdade tá levando 5 mil. Essa é a preocupação que eu tenho na hora de definir em quem apostar pro ano seguinte. O fato de ter sido músico, de ter tocado, ajuda a ter uma noção do que pode e o que não pode ir pra frente. Tá certo que a questão musical parece não importar muitas vezes, mas é mais uma base pra gente pensar o artista.

E há espaço pra novas apostas?

Sempre, a minha vida toda. Isso conta muito a nosso favor. Comprei Bruno e Marrone em 1995 por R$5 mil, comprei muito Luan Santana quando era conhecido só regionalmente, e assim fiz com diversas duplas. É uma parte importante do trabalho também.

Os contratantes ouvem um comentário, um tanto hostil, de que são “amigos do sucesso”, só se interessam em um artista quando ele está bem. Como você encara?

É o seguinte… eu vejo o mercado como um negócio, esse é meu trabalho, eu vivo disso. Eu não determino quem vai numa festa ou não vai, quem determina é a festa, a organização, a prefeitura. Todo mundo faz conta, todo mundo se informa pra saber como anda o mercado. Eu não concordo com isso, mesmo porque a maioria dos artistas de sucesso hoje eu comprei várias vezes em início de carreira, quando eram pouco conhecidos, então não é certo que digam que sou amigo do sucesso. Como eu te disse, comprei meu primeiro show do Bruno e Marrone em 1995 por R$5 mil, longe de ser sucesso. Repeti isso com quase todos os artistas. Sei que falam isso, mas geralmente vem de gente que não consegue espaço ou que perdeu espaço e quer colocar a culpa em alguém.

Como chega até você a informação que um determinado artista está se destacando em determinada região?

Cara, é impressionante. A notícia chega, isso é coisa de Deus. As pessoas me informam, chegam pra me contar, acho que é resultado também de um trabalho sério. Eu não fico procurando, isso acaba aparecendo e eu vou atrás pra verificar se é real a informação ou não.

Há artistas que reclamam quando você passa a comprar menos shows dele, ou compra mais de outro do que dele. Tem toda uma questão de ego por trás, né?

Sobre essa disputa de ego, eu prefiro ser bem direto. Há dois tipos de artista: o que acha que está estourado e o que vende realmente ingresso. Quando o assunto é sério, não tem discussão, não adianta vaidade. O contratante vai fazer o cálculo, pegar os números, e ver quem anda dando resultado. Não adianta inventar história, a bilheteria mostra quem é sucesso. Esse negócio de ego, de sair falando que está indo bem, que está estourado, não serve pra nada.

Quando um artista começa a perder espaço, qual a melhor estratégia pra não sair do mercado de shows?

A primeira e melhor coisa é mexer no cachê, entender que isso vai ser bom pra ele. A média é de 100 mil? Baixa pra 90, pra 80. Corta os gastos, enxuga o máximo possível e vai pra estrada. Há duplas que fizeram isso e se deram bem. Se mantém fazendo show com um cachê menor, e daqui um tempo acerta uma música, um novo trabalho, e volta a subir. Tem que ser inteligente nesse momento.

Como você vê o mercado sertanejo para 2013 e 2014?

O ano de 2013 teve um início ruim pra todo mundo. Muita festa foi cancelada, as mudanças de prefeitura no ano passado também ajudaram a complicar a situação. Agora está dando uma estabilizada, mas a gente já pode ter certeza que festas feitas por aventureiros, como aconteceu bastante até o ano passado, vão acabar.

Vamos acompanhar uma queda, então?

Não, não vejo queda, vejo uma seleção. O ano de 2014 eu tenho em mente que vai ser um ano muito positivo, pois vai acontecer cada vez mais uma seleção. Hoje há muita gente disputando o mesmo espaço, e tá ficando muito cansativo, há muitos produtos iguais. Eu aposto em um 2014 positivo justamente por achar que essa seleção já está começando a acontecer, e vai obrigar que se crie coisas novas, que apareça produtos diferentes. É uma renovação obrigatória.

Em boa parte dos casos, sua relação com artistas e empresários deixa de ser só profissional pra virar de amizade. Quando o artista cai e você deixa de comprar shows, no entanto, várias vezes surge uma indisposição. Como você lida com essa situação?

Acontece… eu penso que quem é amigo de verdade, entende e não fica chateado. Quem deixa de falar comigo ou fica bravo, eu acabo descobrindo que tinha só interesse no meu trabalho, não era amigo de verdade. Eu não ligo, fazer o quê? O sucesso do artista não depende de mim. Eu preciso por no palco quem dá resultado pra festa, que dá resultado na bilheteria. Os amigos de verdade entendem.

Há praticamente dois anos, Jorge e Mateus são os artistas que mais levam público e mais rendem bilheteria aos contratantes. O que há de diferente no trabalho deles que torna os números tão difíceis de serem batidos?

Nem tudo a gente consegue explicar, mas dá pra pensar em algumas coisas. Há duas visões. Na visão do contratante, eles ajudaram demais a gente. Eles investiam com os contratantes, mandavam muito material de divulgação, mandavam vans de divulgação, ou seja, vendiam o show e colaboravam muito pra que aquele show desse resultado. Essa consciência de que todo mundo precisa ganhar os ajudou muito.

Há outra visão, que é a do público, que os vê como dois caras muito carismáticos, com ótimo repertório, de show muito agradável. Tem coisas que não se explica, mas o que a gente consegue falar deles é que eles foram muito bem trabalhados tanto na questão comercial quanto na artística. No final do ano passado, vieram me falar que em 2013 eles iam dar uma caída, pois estavam um pouco saturados. Virou o ano e eles estão mais fortes que no ano passado.

A concorrência no mercado gerou algumas práticas muito criticadas. Uma das mais polêmicas é a de derrubar shows de um escritório concorrente pra por um artista do seu escritório. Como você fica nessa história, já que muitos dos shows são seus?

Eu não entro nessa discussão, não acho isso saudável. Estamos em um mercado com muito dinheiro e que tem uma forte concorrência, então essas coisas acontecem. Eu estou próximo porque tenho que seguir o que o cliente pede, e essas situações acabam surgindo, mas estou vendo essa poeira baixar já. Eu tenho visto que os escritórios estão começando a mudar a cabeça, a perceber que esse tipo de coisa não faz bem ao mercado. Do meu lado, eu digo que não acho algo positivo.

Você já recebeu propostas pra virar sócio de artista?

Já tive sim e não aceitei. Fiquei lisonjeado, mas muito provavelmente eu iria criar atrito com outros artistas. Não é nem questão de ciúme, mas poderia prejudicar o relacionamento comercial. Algum escritório poderia não querer mais negociar comigo, ou outro contratante não querer comprar shows do “meu” artista. Acabei achando melhor não aceitar.

No ano passado, você lançou a carreira de seu filho, Gustavo Mioto. Você foi surpreendido em algum momento, aconteceu algo que você não esperava?

Não tive nenhuma surpresa, tá dentro do que eu esperava. Na verdade eu sou pé no chão, é que tinha muita gente que achava que eu iria misturar as coisas, pedir parceria pra artista e etc. Eu tenho bom relacionamento nas rádios e abertura no mercado de shows, algo que é possível qualquer outro empresário conseguir com o tempo. Minha dificuldade é a mesma de todo mundo, a de fazer com que o público goste do seu produto, entenda o trabalho, goste do artista.


Ao lado do cantor Daniel e do filho Gustavo Mioto

Tem sido comum ouvir críticas de artistas de outros gêneros dizendo que o sertanejo monopolizou o mercado de música no Brasil, fechou as portas pra outros estilos. Você concorda?

Não, não concordo. Não vejo a situação tão ruim da forma que falam. Os outros estilos continuam com o espaço deles, com os fãs, com as rádios. O que mudou é que o sertanejo cresceu e se tornou de fato a principal música do país. Se você pegar a agenda do Jota Quest ou do Capital Inicial, vai ver que os caras seguem fazendo os shows deles. O problema é o comparativo com o mercado sertanejo, que tem festas com até três shows por noite, o que faz com que as agendas dos artistas fiquem com um número muito alto de shows. Concorrer com o sertanejo hoje é inviável. Eu acho importante reparar também é que no mercado sertanejo há muito investimento. Os empresários vão pra cima, gastam dinheiro pra que o artista ganhe destaque, e isso acontece pouco em outros estilos.

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A série “Bastidores”, publicada toda segunda-feira, já teve outros quatro entrevistados: 

-Dudu Borges, produtor musical

-Arleyde Caldi, assessora de imprensa de Zezé di Camargo e Luciano há 21 anos e de Luan Santana

-Marcelo Siqueira, diretor artístico da Nativa FM

-Charles Bonissoni, sócio-fundador da Wood’s

-Sorocaba, empresário, compositor, e integrante da dupla Fernando e Sorocaba

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*O sistema de comentários do blog está passando por uma mudança, então praticamente todos os posts estão sem nenhum comentário. Os comentários não foram apagados, apenas não estão visíveis durante a mudança. Logo estarão de volta.


As músicas sertanejas mais tocadas da última semana (12/05 a 18/05)
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André Piunti

Abaixo, a lista das músicas sertanejas mais tocadas na última semana, de 12/05 a 18/05.

As três primeiras posições, pra variar, continuam idênticas, com “Te Esperando”, “Vidro Fumê” e “Amiga da Minha Irmã”.

Houve uma mudança significativa na última semana: como pode ser conferido na lista abaixo, “Veneno”, de Fernando e Sorocaba, já não figura mais no Top10.

A explicação é que na última segunda-feira, “O que cê vai fazer” passou a ser a nova música de trabalho da dupla, tirando “Veneno” de boa parte das rádios do país. Daqui algumas semanas, o natural é que a nova canção de trabalho apareça.

Está de volta ao ranking a música “Girassol”, de João Bosco e Vinícius, no lugar de “E Agora”, de George Henrique e Rodrigo.

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Ao lado do nome do artista, entre parênteses, está a posição que a música ocupava uma semana antes.

01 – Te Esperando – Luan Santana (1)
02 – Vidro Fumê – Bruno e Marrone (2)
03 – Amiga da minha irmã – Michel Teló (3)
04 – Louco Coração – Eduardo Costa (5)
05 – Pode ou não pode – Zé Ricardo e Thiago (6)
06 – Clichê – João Neto e Frederico part. Jorge e Mateus (10)
07 – Girassol – João Bosco e Vinícius (-)
08 – Deserto – Thaeme e Thiago (8)
09 – Gusttavo Lima – Doidaça (-)
09 – E Agora? – George Henrique e Rodrigo (9)

*Fonte: Crowley Broadcast Analisys


Thiago anuncia fim da dupla Pedro e Thiago
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André Piunti

O cantor Thiago, primo de Pedro Leonardo, anunciou que chegou ao fim a dupla Pedro e Thiago, após 11 anos de parceria.

Como é de conhecimento de todos, Pedro sofreu um grave acidente no início do ano passado, passou um mês em coma, e segue até hoje em recuperação. A dupla não chegou a se apresentar novamente após o acidente, mas a intenção era a de voltar aos palcos logo que Pedro tivesse condições.

Thiago informou, através de uma nota oficial, que se dedicará a um novo projeto solo.

Hoje pela manhã, via Twitter, Thiago disse que “na vida tudo tem seu tempo e infelizmente meu ciclo com o Pedro se encerrou, mas vamos aguardar e torcer pra que tenhamos feito as melhores escolhas”.

O cantor não deu maiores explicações sobre a decisão tomada, mas disse que a escolha não partiu dele.

A partir de junho, Pedro Leonardo integrará o grupo de apresentadores do “Festival Sertanejo”, do SBT (na verdade ele será responsável por matérias feitas dentro da “Casa Sertaneja”, local onde os candidatos ensaiarão).

Pedro e Thiago foram lançados em 2002 por Leonardo. A primeira música de trabalho da dupla foi justamente o grande sucesso da carreira, “Toque de Mágica”. A parceria rendeu 6 CD’s e um DVD.


Com direção de Zezé di Camargo, Gusttavo Lima lança “Diz pra mim”
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André Piunti

Gravada em estúdio, sem som de público, “Diz pra mim” é a nova música de trabalho do Gusttavo Lima, a primeira divulgada do novo CD que ele está gravando. Romântica.

A direção de voz foi feita pelo Zezé di Camargo, que está acompanhando a produção do novo CD. Creio que todos que gostam do Zezé vão reconhecer imediatamente quais foram as “dicas” dele pro Gusttavo. Achei muito interessante.

A produção musical é do Daniel Silveira, que faz parte da banda do Gusttavo.

Segue o clipe abaixo.


Sertanejo tradicional terá pouco espaço na Virada Cultural. “Universitário” fica de fora.
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André Piunti

Já reclamei outras vezes e havia decidido não tocar mais no assunto. Com a chegada do evento, comecei a ser cobrado pra emitir uma opinião, após tanta discussão gerada nas redes sociais da vida.

No próximo final de semana, em São Paulo, acontece a “Virada Cultural”.

Com uma infinidade de atrações em dois dias de evento (sábado 18 e domingo 19), sim, a música sertaneja tradicional está pouco representada. É claro que Sérgio Réis e Renato Teixeira, que se apresentarão no domingo, às 09h, no “Palco Julio Prestes”, são figuras que defendem da melhor maneira possível as tradições, mas ainda assim falta espaço. Não custa lembrar que ambos são dos poucos sertanejos “aceitos” por uma classe de críticos que se acha bem entendida. Há diversas duplas caipiras importantes que seguem fazendo shows e que poderiam fazer parte do evento, além de jovens que seguem com a tradição.

Creio que a pouca presença do sertanejo “de verdade” não seja por questão de preconceito, já que haverá apresentações de funk, música paraense e outras coisas que também sofrem discriminação, mas talvez por alguma falta de conhecimento.

Problema mesmo, grande, eu considero a ausência de qualquer homenagem no ano em que a morte do Tião Carreiro, o maior violeiro de todos os tempos e uma dos maiores personagens da história da música sertaneja, completa 20 anos.

Quando você lê que haverá um tributo a um Chorão, muito menos importante e muito menos significativo, é natural que surja algum sentimento de inconformismo, mas no fim das contas, quem perde é o evento (sim, eu sei que outros artistas que faleceram esse ano serão homenageados).

Concordamos: a música sertaneja tradicional, que tem grande parte de sua história construída nos anos 1950/60 na capital paulista, está deixada de lado na programação.

Universitário:

Outro ponto que muitos tem reclamado é a ausência de artistas do atual sertanejo, ou do “universitário”, pra deixar as coisas mais simples.

“Na comemoração de vitória do novo prefeito, tocou “Camaro Amarelo”, tocou o tchêrerê, mas na hora de escolherem o que dar ao povo, esse pessoal é excluído”.

O argumento acima, compartilhado diversas vezes na última semana, seria legítimo, caso a organização tivesse ignorado a nova geração. Pra fazer justiça, houve sim um convite ao Michel Teló, que de acordo com o escritório dele, não fechou sua participação no evento por conta de data e logística.

No blog da Virada, mantido pelo jornalista Pedro Alexandre Sanches, há uma entrevista com Alex Antunes, um dos curadores, que fala a certa altura do convite ao Teló:

PAS: Você parece dar a entender – e eu concordo plenamente contigo – que Michel Teló deveria estar na Virada. Se é isso mesmo, por que ele deveria? E por que não está?

AA: O que me espanta (na verdade me diverte) é que o Michel Teló cause tanta repulsa, sendo um músico com raízes populares legítimas. Não acho “absolutamente necessário” ele estar na Virada. Ele foi cogitado porque soubemos que poderia vir por um cachê bastante amistoso, o que acabou não se confirmando. Seria mais um símbolo. Mas um palco funk já é símbolo mais do que suficiente (risos). Acho que ele esbarrou contra essa muralha de má vontade que se forma de vez em quando, seja contra o Seu Jorge, seja contra a Kelly Key ou a própria Gaby, qualquer um cujo sucesso seja construído por fora dos lobbies usuais, “compreensíveis” e portanto aceitáveis.

Eu defendo que a nova geração não participe mesmo, por vontade própria. O motivo está na resposta dada acima: a “muralha de má vontade”. Por mais que a curadoria aparentemente esteja bem interessada em acabar com o “nojinho” que a “elite intelectual” tem de artistas e estilos que não fazem parte da panela, o ambiente é hostil.

Tocar no evento cultural da cidade que tem um dos jornalismos culturais mais preconceituosos do país? Aguentar um monte de mala apontando o dedo pra você e dizendo que o que você faz não é cultura? Pra ler uma série de bobagens a seu respeito no jornal do dia seguinte? E ainda dar um desconto no cachê?

De bobo, só mesmo a cara de coitado, como cantariam Gino e Geno (que poderiam estar na programação, diga-se de passagem).


Programa Universo Sertanejo #172
Comentários 1

André Piunti

Fala, pessoal.

Entrou no ar, no final da tarde de ontem, a 172ª edição do programa Universo Sertanejo, na Rádio UOL.

Na edição desta semana, dois lançamentos estão em destaque: “Levemente Alterado”, parceria de Michel Teló com Bruninho e Davi, e “O que cê vai fazer?”, nova música de trabalho de Fernando e Sorocaba.

Além das duas novidades, outras canções também recentes, como “Louco Coração”, do Eduardo Costa, “Hoje não é nosso dia/Cicatriz”, presentes no novo CD acústico de Kleo Dibah e Rafael, e “Flash”, parceria do Matheus e Kauan com o Teló.

O programa ainda traz nomes como Paula Fernandes, Guilherme e Santiago, Cristiano Araújo, e uma boa lembrança de Caçula e Marinheiro.

Para ouvir, basta clicar na imagem abaixo.

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01 – Michel Teló com Bruninho e Davi – Levemente Alterado
02 – Fernando e Sorocaba – O que cê vai fazer
03 – Maria Cecília e Rodolfo com Jorge e Mateus – Só de pensar
04 – Kleo Dibah e Rafael – Hoje não é nosso dia/Cicatriz
05 – Guilherme e Santiago – Foto 3×4
06 – Eduardo Costa – Louco Coração
07 – Daniel – Tantinho
08 – Paula Fernandes – Sem Você
09 – Cristiano Araújo – Mente pra mim
10 – Fernando e Sorocaba – Imagina na Copa
11 – Matheus e Kauan com Michel Teló – Flash
12 – Caçula e Marinheiro – Dois amores e uma aliança