Blog Universo Sertanejo

Uma conversa com Daniel

André Piunti

O lançamento do seu projeto em comemoração a 30 anos de carreira coincidiu com o início da nova temporada do “The Voice”.

Enquanto divulga o DVD “30 anos – O musical”, Daniel aproveita uma exposição que talvez nunca tenha provado em sua bem sucedida carreira.

Conversei com ele sobre alguns assuntos que nos interessam mais diretamente. Por que ele não escolhe mais sertanejos para o programa? Cadê o DVD “Meu Reino Encantado”? Ser barrado no Teleton te irritou? E as críticas a respeito de “Maravida”?

Abaixo, a conversa com Daniel.

danimusical

Em uma entrevista no programa da Gabi, creio que quase uma década atrás, você disse que seu principal medo era ser esquecido, não ser reconhecido, “sumir”. O que você fez pra que esse medo não se tornasse realidade?

Eu sempre tive a preocupação de me reinventar, a gente sabe como é complicado se manter no mercado. Durante muito tempo, por conta do falecimento do João Paulo, você sabe que eu pensei muitas vezes em parar de cantar. Subia no palco, fazia o que eu gostava, mas tinha uma angústia, uma dúvida. Esse medo era real, é normal do artista.

Eu acho que a forma que a minha carreira caminhou nos últimos anos foi muito positiva. A relação que eu tenho com as pessoas que me acompanham me manteve vivo. Isso me deixou aceso esse tempo todo, ver como as pessoas são carentes e como o meu jeito pode fazer bem pra quem gosta de mim. Chega uma hora que você para pra ver a sua vida toda, se analisar, e eu posso dizer que achei sentido ao ver tudo o que eu criei.

O seu novo DVD, um musical de teatro, é bem diferente do que você tinha feito até hoje…

Hoje eu me vejo com a possibilidade de fazer isso, de trazer coisas diferentes, foi assim que surgiu a oportunidade de fazer esse DVD. Eu era muito tímido, no início da carreira não dava nem pra imaginar algo assim, mas tudo é questão de tempo. A gente sofreu um pouco pra se adequar ao formato do musical na questão do áudio, microafinação, interpretação, mas foi um sofrimento bom. Gostei muito do resultado, achei que meus 30 anos estão muito bem representados no DVD.

Depois de música, cinema, TV e teatro, tem como surgir mais alguma novidade?

Eu tenho muita coisa na cabeça, muita ideia e muita vontade. Os últimos anos foram muito bons pra mim, me sinto aquele menino de 15 anos na expectativa de gravar o primeiro disco.

O DVD Meu Reino Encantado faz parte dessas ideias?

Sim, posso até adiantar que esse DVD pretendo fazer brevemente. O que faltava era uma história diferente, não queria simplesmente repetir os CD’s em vídeo. Agora surgiu a ideia que eu precisava. Não vou contar, mas já está tudo na minha cabeça.

Como surgiu o convite pro The Voice?

Eu estava no carro, saindo do aeroporto de Viracopos, e o Marcelo Barbosa, filho do Benedito (Ruy Barbosa), me ligou. Eu tenho uma ligação com o Marcelo de irmão. Não temos o mesmo sangue, mas nos tratamos como irmãos mesmo, algo muito sincero. Eu atendi o telefone e ele me disse que eu seria convidado pra um projeto e que ele achava que eu deveria aceitar. Eu pensei na hora que fosse novela, e até brinquei dizendo pra me darem um papel em que eu me desse bem no final com a mocinha, já que eu já fiquei montado demais em cima de cavalo e sujo de terra. Ele disse que não, que não era novela, e eu fiquei com isso na cabeça. Logo depois, o Maga (Carlos Magalhães, ex-diretor geral do programa), me ligou convidando e eu já achei o projeto interessante logo de cara.

Havia uma expectativa, principalmente de quem é fã de música sertaneja, de que você fosse um representante nosso lá, que desse prioridade aos sertanejos, e não é exatamente isso que aconteceu. O que se passa?

Vou falar a real. Uma coisa é estar do lado de cá e outro na frente da TV. Na fase em que o programa é gravado, nas audições, existe todo um preparativo, um tratamento pra ir ao ar. Na hora do ao vivo a coisa é diferente. O Faustão não diz ''quem sabe faz ao vivo”?. É isso mesmo, e nem todo mundo é o que parece na TV. Infelizmente não apareceu ainda o que eu esperava dentro do meu estilo. Eu sou sertanejo, defendo o sertanejo, todo mundo sabe que não nego minhas raízes. O que eu queria mesmo era ter uma dupla fera no meu time, mas ainda não apareceu da forma que eu quero. Não tô dizendo que os meninos não são bons (André e Kadu), tanto que eu os defendi, mas eu ainda continuo esperando algo um pouco diferente.

Você já se arrependeu de não ter escolhido algum candidato?

Se arrepender em um programa de escolhas rápidas acontece sim, mas faz parte, essa é uma das graças do programa.

Você não escondeu o incômodo ao não ter sido liberado pela Globo pra participar do Teleton do ano passado. Esse ano, no entanto, a emissora te liberou. É um assunto que você evita ou não pode falar, por exemplo?

De maneira alguma. Eu posso e devo falar. Fiquei muito mal e todos souberam. Antes de começar cada ''The Voice'', a gente coloca em pauta nas reuniões algumas coisas importantes antes de o projeto ter início. No ano passado, eu disse que tinha algumas prioridades na minha vida, e o ''Teleton'' era uma delas. Me disseram que tudo bem, que isso seria visto, e eu entendi que fosse dar certo. Quando chegou perto e surgiu a notícia de que não haveria a liberação, muita gente me perguntou o porquê disso, se eu não deveria bater de frente e etc, e eu respondi que eu sou homem, que eu assinei um documento, e que nesse documento a Globo tinha o direito de decidir sobre esses assuntos. Eu tentei até o fim, batalhei até o fim, mas assumi um compromisso com a emissora e cumpri.

Esse ano, pra essa edição nova do programa, eu sentei de frente com o André Dias, diretor da Globo e um cara que você sabe que é incrível. Expliquei toda a situação, e falei que fazia questão de assinar o contrato novamente, mas deixando claro que eu não poderia deixar o Teleton de lado e inclusive contei a minha história com o Teleton, história do meu irmão e o motivo da minha ligação tão forte com o projeto. Ele respondeu que não dependia só dele, mas que ele trabalharia pra que isso desse certo. No fim das contas, deu certo, eu participei e muita gente dentro da Globo veio elogiar, parabenizar pelo projeto, e eu acabei percebendo  que muita gente não entendia a importância do projeto. Talvez tenha faltado eu ser mais claro na primeira vez como fui na segunda.

Você recebeu algumas críticas pela regravação de “Maravida”, abertura de “Amor à Vida”, e o assunto cresceu quando alguns comentários soavam mais como preconceito do que qualquer outra coisa. Te irritou a situação?

Que coisa, né? Ter que falar em preconceito até hoje… Cara, eu não me irritei, mas eu senti uma coisa ruim. E me avaliei, fui ver se eu tava fazendo algo errado mesmo, não sou o dono da verdade. Mas sinto também quando o que está sendo falado é real e quando não é sincero. Sabe… todo mundo tem o direito de não gostar, mas vi que não era o caso.

Eu fui dirigido ali pelo Mariozinho Rocha, pelo Ricardo Leão, que é referencia pra todo mundo. Tinha um outro tema pronto pra novela e duas semanas antes da novela eu recebi uma ligação recebendo o convite do Mariozinho Rocha. Eu não pensei nem um segundo pra responder “tô dentro”. Ele me disse qual seria a música e fui pro estúdio.

Eu não concordo com o fato de jogar merda no ventilador de forma incorreta. Tem formas de se criticar, e não achei legal a forma que foi feita. Disseram até que eu estava lá porque era da Som Livre, sendo que eu sou da Sony, fui a vida inteira da Warner. Acho que tudo o que vem acontecendo na minha carreira é uma boa resposta.

hersonhei