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Arquivo : tião carreiro e pardinho

O Preto e o Granfino
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André Piunti

Recebi por email um vídeo colocado na internet essa semana, do Eduardo Costa cantando “Terra Roxa”, do Tião Carreiro e Pardinho.

Eu conheci a música como “O Preto e o Granfino”, mas alguns leitores me alertaram que o nome correto é “Terra Roxa”.

A história da música é parecida com a de várias outras canções. O enredo, na verdade, é o mesmo, e só mudam algumas características dos personagem.

São dois personagens: o que se diz rico, que acha que manda em tudo, e o mal vestido, humilde, simples, que no fim das contas, revela que tem muito mais dinheiro do que o que se considera rico.

Histórias com esse enredo podem ser ouvidas no clássico “Rei do Gado“, de Tião Carreiro e Pardinho, em “Inquilina de Violeiro“, do Cacique e Pajé, em “Rei da Pecuária“, de Ronaldo Viola e Praiano, e em várias outras canções que formariam uma extensa lista (quem for lembrando de outras, pode postar nos comentários).

Quem não conhece as canções citadas, vale a pena clicar sobre o nome delas e conferir.

Abaixo, a versão de Tião Carreiro e Pardinho, e o vídeo que citei do Eduardo Costa.

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A resposta
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André Piunti

Algo presente na música sertaneja desde seu início, são as canções feitas em resposta a outras.

A afirmação agora pode ser bastante pessoal, mas creio que muitos daqui concordam: a imensa maioria das respostas fica ruim. Mesmo quando não ficam ruins, ainda assim não atingem a qualidade da original.

Um dos grandes clássicos sertanejos, “Rei do Gado”, tem uma resposta muito menos conhecida que ele, chamada “Rei do Café”.

No entanto, diferentemente do que acontece na maioria das vezes, o revide também é uma grande música.

Como hoje é sábado, dia que dá para ouvir música mais tranquilo, vou colocar aqui as duas canções. A primeira, com Tião Carreiro e Pardinho, e a segunda, com Liu e Léu, escrita toda em cima da história da primeira.

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Dos tempos mais recentes, creio que a sequência mais lembrada seja “Dia de visita” e “Olhos claros”, as duas gravadas por João Paulo e Daniel, e que são duas de nível praticamente igual.


Entrevista com Tião Carreiro e Pardinho
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André Piunti

O registro abaixo é o áudio de uma entrevista de 10 minutos dada por Tião Carreiro e Pardinho.

Não tenho aqui informações de qual rádio fez a entrevista, e nem do ano em que ela foi gravada, mas se alguém souber, me avise para que eu possa atualizar a postagem, por favor.

Eu editei esse material para que ficasse só a fala dos cantores, pois as canções deixavam o arquivo muito pesado.

Nessa entrevista especial, eles falam da escolha do nome da dupla, das histórias de suas músicas mais famosas, de música sertaneja em geral, além de passagens bem humoradas dos dois.

Como prévia, cito duas frases curiosas do Tião Carreiro: “Não vai haver nunca um dueto como Tonico e Tinoco”, e “Eu não tenho conjunto. É Tião Carreiro, Pardinho e duas violas.”

O registro vale ser ouvido mesmo, são poucas as entrevistas disponíveis com a dupla.

Para ouvir (ou baixar) a entrevista, basta clicar sobre a imagem abaixo.


Ah, Domingo…[43]
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André Piunti

Antes de tudo, aproveito para anunciar que nos próximos dias, conto uma novidade muito boa envolvendo o nome de Tião Carreiro.

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Algo que aproxima todas as gerações da música sertaneja, é o fato de Tião Carreiro sempre ter sido lembrado.

Todas as duplas, de todas as épocas, já cantaram ao menos uma música do Tião Carreiro em seus shows ou em seus discos, e isso inclui a geração atual de cantores.

O que complica um pouco, no entanto, é que raramente se regrava uma canção inteira, criou-se o costume de pegar um ou dois versos e juntar com outros versos de outras canções.

Uma das músicas mais atemporais já compostas pelo Tião, “A vaca já foi pro brejo”, chegou aos ouvidos dos jovens de hoje através de Jorge e Mateus, que regravaram um trecho dela.

O que impressiona na canção, é que ela consegue ser atual do começo ao fim, e ao que tudo indica, seguirá anos e anos fazendo todo o sentido.

O vídeo abaixo, com a música completa, traz justamente essa música. Segue a letra junto, para quem quiser acompanhar.

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A vaca já foi pro brejo
(Tião Carreiro/Lourival dos Santos/Vicente P. Machado)

Mundo velho está perdido
Já não endireita mais
Os filhos de hoje em dia já não obedece os pais
É o começo do fim
Já estou vendo sinais
Metade da mocidade estão virando marginais
É um bando de serpente
Os mocinhos vão na frente, as mocinhas vão atrás

Pobre pai e pobre mãe
Morrendo de trabalhar
Deixa o coro no serviço pra fazer filho estudar
Compra carro a prestação
Para o filho passear
Os filhos vivem rodando fazendo pneu cantar
Ouvi um filho dizer
O meu pai tem que gemer, não mandei ninguém casar

O filho parece rei
Filha parece rainha
Eles que mandam na casa e ninguém tira farinha
Manda a mãe calar a boca
Coitada fica quietinha
O pai é um zero à esquerda, é um trem fora da linha
Cantando agora eu falo
Terreiro que não tem galo, quem canta é frango e franguinha

Pra ver a filha formada
Um grande amigo meu
O pão que o diabo amassou o pobre homem comeu
Quando a filha se formou
Foi só desgosto que deu
Ela disse assim pro pai: “quem vai embora sou eu”
Pobre pai banhado em pranto
O seu desgosto foi tanto que o pobre velho morreu

Meu mestre é Deus nas alturas
O mundo é meu colégio
Eu sei criticar cantando, Deus me deu o privilégio
Mato a cobra e mostro o pau
Eu mato e não apedrejo
Dragão de sete cabeças também mato e não alejo
Estamos no fim do respeito
Mundo velho não tem jeito, a vaca já foi pro brejo


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