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Prefeitura repudia comportamento de Paula Fernandes
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André Piunti

A prefeitura de Primavera do Leste, no Mato Grosso, publicou uma nota de repúdio ao comportamento da cantora Paula Fernandes durante a apresentação feita na cidade no último dia 9.

De acordo com a nota, publicada no site da prefeitura na última sexta-feira (10), a cantora tratou com “desdém e até falta de consideração” os alunos da rede pública, que fizeram uma homenagem a ela.

Ainda segundo o site de Primavera do Leste, Paula deixou cerca de 70 crianças esperando por mais de 3 horas.

Ao blog, a assessoria de Paula Fernandes informou que nem a produção, nem o escritório e nem a gravadora da cantora haviam sido informados do encontro com as crianças. Paula estava descansando quando soube que as crianças a esperavam.

Abaixo, a nota divulgada pela prefeitura. Em seguida, a nota oficial divulgada pelo escritório da cantora no final dessa tarde.

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A Prefeitura Municipal de Primavera do Leste vem à público manifestar veemente repúdio a cantora Paula Fernandes durante sua passagem por Primavera do Leste que se portou com desdém e até falta de consideração aos alunos da rede pública municipal de ensino durante uma homenagem prestada à cantora nesta cidade.

Esperamos que a referida cantora de grande expressão nacional tenha a grandeza de valorizar, incentivar e ao menos respeitar o trabalho que é feito com muita dedicação por alunos no coral municipal e conjunto de violões, e que se apresenta sempre com destaques nos vários eventos que participa no Estado e até fora dele.

Vale ressaltar que a população primaverense a recebeu de braços abertos e foi prestigiar o seu show no último dia 09, onde todos que compareceram pagaram corretamente o valor dos ingressos.

Uma cantora como Paula Fernandes que busca a cada dia ganhar novos fãs, não pode destratar os seus, bem como aos ouvintes de suas canções, como ocorreu nesse episódio em Primavera do Leste.

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Nota da “Talismã Produções”, escritório do qual Paula Fernandes faz parte.

Nesta manhã, fomos informados sobre a nota de repúdio à cantora Paula Fernandes divulgada pela Prefeitura de Primavera do Leste/MT. Com relação aos fatos temos a colocar o seguinte:

1 – A cantora Paula Fernandes está em uma intensa turnê por todo o Brasil realizando em média 25 shows por mês. Em razão desta agenda congestionada, toda e qualquer ação ou atividade que envolva à artista, deve ser previamente discutida e agendada em conjunto com o escritório Talismã que representa os assuntos relacionados à carreira da cantora.

2 – Paula Fernandes é extremamente zelosa e atenciosa com os seus fãs, sendo eles a razão principal do seu trabalho. Jamais, em toda a sua carreira ela desrespeitou ou tratou com desatenção qualquer pessoa que dela se aproxime, sendo assim injustos e não verdadeiros os fatos relatados na referida nota.

3 – O Sr. Elismar de Souza, contratante do show, não representa a artista Paula Fernandes e por esta razão não está qualificado a assumir qualquer compromisso em seu nome, o que foi feito por ele junto ao Secretário de Educação do Município.

4 – Surpreendida com o fato de que várias crianças a aguardavam no auditório do hotel, mesmo sem que isso fosse comunicado a qualquer membro da sua equipe, ela prontamente se dispôs a atender e receber estas crianças apesar de ter pouco tempo para se preparar para o show após uma exaustiva viagem.

Pelas razões acima expostas, queremos expor o nosso protesto e indignação sobre as inverdades levianamente publicadas.

Estamos à disposição para as dúvidas e esclarecimentos.

Atenciosamente,
Talismã Produções


Vamos falar mal de sertanejo?
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André Piunti

É curioso.

Basta o sertanejo voltar à tona para as críticas apelativas voltarem. E diferentemente do que acontece com outros estilos, parece que qualquer declaração preconceituosa é aceita com a maior naturalidade.

Após mais uma entrevista boba do Lobão, ontem, dessa vez para a Folha, resolvi citar algumas declarações que mostram bem o nível de incômodo causado pelo sucesso da música sertaneja.

-Lobão, ontem, na Folha, disse que no Brasil há hoje uma “invasão do agrobrega”. Não custa lembrar que o sertanejo de hoje é muito mais animado do que romântico, e muito mais de classe alta do que de campo.

-Lobão, dois meses atrás, criticou o “sertanejo universitário” e disse que Luan Santana era “uma coisa horrorosa”, além de outros  elogios não muito honrosos. Essa história foi publicada aqui no blog e rende comentários até hoje.

-No ano passado, o blog Radar Online, da Veja, definiu Luan Santana como “fenômeno brega-adolescente da vez”.

-O respeitado crítico Zuza Homem de Mello cunhou a seguinte frase: “Um compasso do João Gilberto vale muito mais do que toda a obra do Zezé di Camargo”. Falei sobre essa passagem nesse texto aqui.

Os quatro exemplos acima são simples, frases que a gente lê por aí faz tempo.

Abaixo, no entanto, provavelmente estão as declarações mais infelizes de grande repercussão sobre música sertaneja.

Em outubro de 2000, Nelson Motta deu uma declaração que incomodou diversas duplas. Poucos anos atrás, no “Altas Horas”, o jornalista teve uma conversa “reconciliadora” com Zezé di Camargo e Luciano. Essa semana, ele está produzindo uma matéria sobre o novo sertanejo. A declaração, para a “Isto É Gente”, foi a seguinte:

“Os critérios para avaliar uma música popular são melodia, letra, ritmo e harmonia. O sertanejo é praticamente zero em todos os quesitos. Reconheço até que o gênero tem alguns intérpretes de grande talento, que sabem cantar, mas as melodias são pobres e as letras são paupérrimas. O ritmo é praticamente inexistente, são baladas melancólicas. Em termos de harmonia o ritmo é indigente. Sobra muito pouco para o meu gosto, mas não quero convencer ninguém, só falo o que acho.”

Além dessa, houve o desabafo de Lulu Santos ao vivo no Faustão. Revoltado com o governo Collor, que já estava em processo de impeachment, o músico disse que os sertanejos poderiam ir embora junto com o novo governo. A melhor frase do desabafo foi “eu tenho pavor desse tipo de música”. A declaração pode ser assistida clicando sobre a imagem abaixo, no finalzinho do vídeo.

Lembrando sempre que, a partir dos anos 1990, a música sertaneja feita por caipiras estranhos que cantavam fino em dupla, passou a ser a música dominante nas rádios e na TV.

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Para encerrar, há ainda a música “Odeio rodeio”, do Chico César.

Só citar a primeira estrofe já basta:

Odeio rodeio e sinto um certo nojo
Quando um sertanejo começa a tocar
Eu sei que é preconceito, mas ninguém é perfeito
Me deixem desabafar


Entre a crítica e a implicância
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André Piunti

Li, ontem, a coluna de estreia do Zuza Homem de Mello, um dos críticos musicais mais conhecidos e respeitados do país, no Correio Popular, jornal aqui de Campinas.

Zuza, diferentemente de vários críticos renomados, reconhece toda a rica história da música caipira.

O problema é quando ele fala da música sertaneja das últimas décadas. É dele, por exemplo, a seguinte frase: “Um compasso do João Gilberto vale muito mais do que toda a obra do Zezé di Camargo”.

Essa coluna de estreia que acabei de citar, fala sobre Juraildes da Cruz, vencedor do Prêmio da Música Brasileira como melhor cantor de 2009.

Em uma parte do texto, ao falar do estado de Goiás, ele divide a música local em duas. Uma do norte, outra do sul. Segue abaixo o trecho que nos interessa.

“O do Sul sofre influência da modinha e da música mineira tendendo para o conceito generalizado de música sertaneja. Seria de se esperar que a obra das duplas goianas seguissem essa tendência, mas não foi exatamente o que aconteceu com algumas delas, como Leandro e Leonardo (depois reduzida a este último) e Zezé di Camargo e Luciano, sempre bem-vindos nas festinhas pretensiosamente autências do poder da Capital Federal. Seu foco obstinado é banalizar a relação entre homem e mulher, justamente o que é mais solicitado pelo mercado de consumo mais débil, o que lhes vale tamanha exposição na mídia”.

Não gostar do estilo musical, e até considera-lo a pior coisa do mundo, é uma questão de direito, cada um acha o que quiser.

Dizer que o “foco obstinado é banalizar a relação entre homem e mulher, justamente o que é mais solicitado pelo mercado de consumo mais débil”, já soa o desrespeito, apesar de haver muita gente que compartilha da ideia.

Implicância, só.


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